terça-feira, 18 de agosto de 2009

A maior torcida do Brasil


(Texto de hoje na Folha) Escrito por Torero às 08h22

Neste fim de semana resolvi conhecer um pouco melhor a maior torcida do Brasil. Não, não estou falando de flamenguistas ou corintianos. Hoje, a maior torcida do Brasil é outra. É a do Clube Atlético Mineiro. Pelo menos quando se fala em torcida nos estádios.

Se o leitor duvida e a leitora desconfia, podem olhar lá no site na CBF. Nos jogos em casa, ninguém leva mais torcedores que o Galo. Ninguém nem chega perto. Ele tem 39.709 torcedores em média. O Flamengo, segundo colocado, está 9 mil torcedores atrás. Nem se somarmos gremistas (19.373) e são-paulinos (18.174), terceiros e quartos colocados, eles alcançam o clube mineiro. E o Corinthians (18.151) está apenas em quinto lugar. Ou seja, a torcida do Galo está dando uma surra nas outras. E a melhor das surras, a surra metafórica.

Curiosamente, quando cheguei ao Pacaembu, a arquibancada destinada aos visitantes estava ocupada em apenas um terço. Era uma torcida familiar, com muitos velhos, mulheres e crianças. Fiz uma pesquisa com as pessoas em torno e vi que a grande maioria era de mineiros que vieram trabalhar em São Paulo.

Por acaso, ou não, sentei-me perto de duas senhoritas: Gabriella, com dois eles, e Elen, com um ele só. Como é comum nas mulheres, elas possuíam teses interessantes sobre futebol. A primeira disse que se houvesse um Brasileiro a cada dois meses seria mais divertido. “Aí todo mundo ganhava um e ninguém ficava triste”. A segunda confessou que torcia para que o Atlético não fizesse um gol logo de cara, pois assim o Corinthians não viria para cima deles.

Às 16h00 em ponto chegou a Galoucura, principal torcida organizada do Atlético, e ocupou outro terço da arquibancada. Chegou bem-humorada e cantando uma música que dizia “a Galoucura nunca para de cantar”. Em suas camisas, lia-se uma frase do filme 300: “Não lhes dêem nada, mas retirem deles, tudo”. Também poderia ser um slogan da classe política em relação aos seus eleitores.

A arquibancada ficou claramente dividida. Na parte de cima, os torcedores comuns. Na de baixo, os organizados. A Galoucura deu uma grande animada nos comuns. Todos levantaram e assistiram ao jogo em pé. Mesmo porque, com a organizada levantada, ninguém enxergaria o jogo sentado. Foi uma convivência pacífica, tanto que vi alguns comuns comprando camisas e adesivos da Galoucura.

Quando começou a partida, com o time mineiro meio confuso e lento (eram seis desfalques), os comuns se mostraram apreensivos. Já os da organizada batucavam sem parar. Só pararam aos 26’ do primeiro tempo, quando Dentinho fez 1 a 0.

Enquanto os corintianos davam um grito que ecoava pelo Pacaembu, na arquibancada ninguém falava uma palavra e mesmo o batuque da Galoucura emudeceu. Fez-se um silêncio de quando se fecha caixão em velório.

Mas, alguns segundos depois, a torcida recomeçou com sua música e os comuns ressuscitaram. “Vamos virar”, disse um otimista com rabo de cavalo à minha frente.

Depois deste primeiro gol, começou uma certa animosidade entre a Galoucura e os corintianos do tobogã, a arquibancada ao lado. Os mineiros começaram a cantar músicas pouco elogiosas, como “Doutor, eu não me engano, fdp é corintiano”. De lá, os corintianos também cantavam músicas e versos ofensivos. Mas não se escutava nada do lado de cá. Provavelmente, também não se ouvia nada do lado de lá.

No começo do segundo tempo, os comuns ainda estavam otimistas. Quando o Corinthians ia cobrar uma falta perigosa, o sujeito com rabo de cavalo chegou a dizer: “É o começo da reação. A bola vai bater na barreira e vamos fazer gol no contra ataque”. Mas os otimistas raramente acertam. Alguns instantes depois o Corinthians faria 2 a 0, num belo chute de Boquita.

Então veio a expulsão do atleticano Renan e as esperanças acabaram de vez. Os comuns começaram a ir embora. A Galoucura, sem mais interesse no jogo, ocupou-se em trocar insultos com os corintianos.

E a conclusão a que cheguei é que a maior torcida dos estádios brasileiros não tem nada especial. É só gente comum. Se é que isso é pouco e não, tudo.



2 comentários:

Unknown disse...

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Unknown disse...

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